segunda-feira, 13 de maio de 2013

Máquina de Defesa


Máquina de Defesa

Por Gabriela Harumi

                Por que nossas atitudes são tão contrárias ao que nós almejamos? Seria um mecanismo de defesa para nos esconder desse mundo, para não se igualar aos outros, para tentar se destacar de forma diferente dentre a sociedade em que vivemos? Carl Gustav Jung, descreveu essa máscara usada para interpretarmos diversos papéis e sermos bem vistos diante da sociedade como Persona.

                Uma outra figura idealizada por Jung é a Sombra. Descrita como o nosso inconsciente projetado no outro. Pode - se julgar que, por este motivo algumas pessoas são tão críticas com as outras, por serem tão semelhantes e por falta de olhar para si mesma. Ou até mesmo a generosidade excessiva, pode esconder uma pessoa má e amarga com a vida.

                Esses conceitos servem para demonstrar o quão paradoxal é o ser humano. A Persona pode ser encarada como uma tentativa falha que dá origem a hipocrisia tão vista nos dias atuais. Vivemos em uma época onde o autoconhecimento é tratado como desafio, desta forma, quando iniciamos este processo gradativo temos cada vez mais medo de nos aprofundar dentro de nós mesmos e acabamos por desistir por percebermos como somos imperfeitos, e nosso ego, é tão grande que não nos deixa ser pequenos. Somos o que os outros são, por medo de sermos o que realmente somos.

                Moldar sua personalidade baseada em sua essência pessoal não significa ser ridículo e sim ser original diante seu passado, isto é, deixar cair a máscara que tira o que de mais precioso tem: o livre- arbítrio. O autoconhecimento não significa martirizar - se por ter defeitos e sim melhorar a si mesmo para nos projetarmos apenas em frente ao espelho, para que nossas críticas sejam construtivas à nós mesmos e não motivo de quebra de relações. A relação entre o eu consciente e o eu inconsciente precisa de um equilíbrio, e ele só se dá a partir do momento em que colocamos nossa racionalidade em avaliar nossas atitudes para que haja a melhora que tanto dizemos buscar dia após dia, missa após missa, culto após culto. Pensar em melhorar e melhorar para melhor pensar.

                “Contemplai, pois, à noite, à hora do repouso e da prece, a abóbada azulada e, das inúmeras esferas que brilham sobre as vossas cabeças, indagai de vós mesmos quais as que conduzem a Deus e pedi-lhe que um mundo regenerador vos abra seu seio, após a expiação na Terra.”
– Santo Agostinho. (Paris, 1862.)

Créditos ao Paulo Moro pela inspiração da Palestra.



Obrigado, Gabi! =]

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